Eder Calegari: o repórter multimídia de Frederico Westphalen

Um técnico em enfermagem que, com a necessidade de contar histórias e registrar momentos, descobriu no jornalismo uma forma de ajudar o próximo.

Maíra Cardoso

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Éder realiza-se com a profissão de jornalista

Nascido numa família simples de agricultores, no interior do pequeno município de Ibirapuitã, na região norte do Rio Grande do Sul, Eder Calegari desde sempre soube que sua vida profissional estaria ligada a ajudar o próximo de alguma forma. Primeiramente, viu na enfermagem a possibilidade de se fazer presente na vida das pessoas. Trabalhou como técnico em enfermagem durante sete anos, mas já naquela época com o primeiro salário comprou uma câmera compacta VHS. A partir daí, começou a perceber que nos simples registros de imagens poderia contar histórias e ajudar mais pessoas do que como enfermeiro.

Antes de entrar no ramo da comunicação passou pelo dilema de escolher entre continuar na enfermagem, buscando se aperfeiçoar com um curso superior, ou tentar uma carreira na área da comunicação. Foi aí que seu desejo de contar histórias falou mais alto, e decidiu fazer um curso de audiovisual. A formação jornalística surgiu pela necessidade do diploma para que pudesse exercer o jornalismo de fato.

Sua carreira como jornalista começou na TV Pampa de Passo Fundo, como estagiário. Após, foi designado a Ijuí para ser repórter nessa mesma emissora. Porém, devido a cortes na empresa, voltou para Passo Fundo onde iniciou uma nova fase na sua carreira, trabalhando na área de impresso, no jornal O Nacional. Nesse meio tempo, começou a trabalhar na RBS TV como produtor.  Na parte da manhã produzia para a TV, e à tarde escrevia no jornal.

Quando surgiu o convite para trabalhar como freelancer, ainda na RBS TV, diz ter ficado receoso por trocar dois empregos estáveis por um trabalho que não lhe desse garantias.  Mas, resolveu aceitar o desafio. Trabalhou um ano como freelancer, quando, então, teve a surpresa de ser chamado para trabalhar como repórter na cidade de Frederico Westphalen.

Frederico Westphalen: uma nova etapa.                                                                        

A vinda para Frederico foi completamente inesperada. Eder tinha conhecimento que estavam à procura de um repórter, mas não criou expectativas, pois sabia que a emissora estava em busca de alguém da região com uma maior identificação local. Porém, com a dificuldade de encontrar um repórter local com experiência, Eder recebeu a notícia de surpresa. “Eu estava em Soledade fazendo uma matéria sobre a fraude dos semáforos, quando a minha chefe ligou de Passo Fundo e disse: ‘Eder, vem agora me encontrar! Tu quer ir para Frederico?’. Na hora eu fiquei confuso. Como assim? Eu estava fora de cogitação e agora você quer que eu tome uma decisão tão importante em tão pouco tempo? Deixa eu primeiro assimilar tudo isso.”, foi o que Eder respondeu para sua chefe. Passado o susto o repórter mediu os prós e os contras e aceitou a proposta.

Eder conta que os primeiros dias em Frederico Westphalen foram difíceis, tanto na parte pessoal, pois não conhecia ninguém na cidade, quanto na parte profissional, por se tratar de um forasteiro recém chegado num lugar que, até então, não tinha cobertura televisiva dos fatos. “No começo era muito engraçado, eu pedia para as pessoas um depoimento, umas achavam que era para jornal impresso ou para rádios locais, e outras ficavam envergonhadas e até mesmo com medo de se comprometer de alguma forma.”, diz o repórter.

Hoje, passado o estranhamento, percebe que as pessoas estão mais acostumadas com a presença de um repórter de televisão. “Agora é mais fácil. Hoje, tanto na cidade, como no interior e nas demais cidades da região, sinto que adquiri a confiança das pessoas, sou reconhecido, tenho mais facilidade em conseguir entrevistas, o que colabora muito na produção das matérias. Fui verdadeiramente acolhido”, comenta Eder Calegari que, por muitas vezes, fica constrangido quando é chamado para cobrir algum evento que não tem cunho jornalístico ou não tem relevância para a região de cobertura.

Por ser um vídeo-repórter, Eder conta que deixa de cobrir alguns acontecimentos por falta de tempo e equipe. Seu trabalho como repórter em Frederico faz com que tenha de entrevistar, filmar, produzir, editar e também produzir conteúdos para outras mídias, como o jornal Zero Hora e Clic RBS.

Mochila Cultural: Você se auto-intitula “repórter abelha”?

Eder Calegari: Na verdade, eu nem conhecia esse termo. Fui conhecer em uma palestra que dei na UFSM, pois, na UPF e na RBS essa função é conhecida como repórter multimídia. Então, me considero um repórter multimídia.

Repórter “abelha” ou multimídia

Mochila Cultural: Como é ter a função de repórter abelha, ou multimídia, tendo que cobrir vários acontecimentos, em diferentes cidades?

Eder Calegari: Eu vim para cá sabendo que eu teria que acumular várias funções e atender as outras mídias, além do telejornal. Não sabia se ia dar certo porque é muita coisa pra uma pessoa só. Apesar de ser um dificultoso, acho que o resultado está sendo positivo e satisfatório.

Mochila Cultural: E qual é o lado positivo e o lado negativo de se trabalhar com uma equipe tão reduzida?

Eder Calegari: O lado positivo é que eu já saio para cobrir o fato sabendo as imagens que eu quero, as pessoas que devo entrevistar, o tipo de abordagem, sem perder tempo. A matéria sai do início ao fim como eu planejei, sem surpresas. As dificuldades são mais técnicas, pois preciso agir como motorista, câmera, repórter, produtor e editor ao mesmo tempo. Uma das maiores dificuldades é a falta de um câmera, pois, além de entrevistar, tenho que colocar a câmera em um ângulo que favoreça a matéria, nessa parte, perco na questão dos enquadramentos, pois não posso ousar.

Mochila Cultural: Sente uma maior cobrança por ser um jornalista que agrega várias funções?

Eder Calegari: Sim. Às vezes, quando estou cobrindo uma pauta, o telefone toca no meio da entrevista com um novo fato para cobrir e eu não posso sair do local. Sinto que falta compreensão de que estou sozinho cobrindo uma região inteira.

Mochila Cultural: Acha que a prática do jorrnalismo-abelha é prejudicial para o ofício do jornalismo?

Eder Calegari: Não. Acho que essa prática é bem-vinda, porque só existe em lugares afastados dos grandes centros, onde não se tem condições de abrir uma emissora com uma grande equipe. Então essa seria a solução para que essas regiões mais remotas sejam notícia nas grandes mídias.

Mochila Cultural: Em algum momento você se arrependeu de ter trocado a enfermagem pelo jornalismo?

Eder Calegari: Olha, quando eu ainda estava cursando a faculdade de jornalismo, refleti se era isso mesmo o que eu queria. Hoje me considero realizado profissionalmente e tenho a certeza de que escolhi a profissão certa.

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Publicado em outubro 1, 2012, em Cotidiano, Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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